domingo, 26 de junho de 2016


God Save the Marianne
Hoje, deparei-me com inúmeras postagens relativas a um comentário de Roberto Rachewsky à foto em capta um encontro da rainha da Inglaterra com a prefeita de Paris. Tentei localizar o seu texto e o contexto da imagem, mas São Google deve ter imprensado os festejos juninos.
Bom, o que salta aos olhos é uma nonagenária aristocrata inglesa carregando sua sombrinha e uma altiva descendente de Marianne, retratada por Delacroix, seguida por um lacaio que empunha o seu guarda-chuva.
Ora, esta fotografia é descritiva de como as democracias ocidentais encontram-se em uma encruzilhada. Não trato de maneira pueril o retrato da rainha, há vários contextos que ultrapassam este recorte e fogem aos saudosistas de um Downton Abbey nos trópicos. Trato da socialista e primeira mulher a ocupar a prefeitura de Paris.
Inúmeros e diferentes autores como José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Raymundo Faoro, José Murilo de Carvalho, Florestan Fernandes, Wanderley Guilherme dos Santos, Jesse Souza, dentre tantos outros, alertavam e alertam que o sistema de privilégios, destinado aos representantes populares, contraíram um alheamento dos seus representados. Desaprenderam a girar a maçaneta de uma porta.
A burocratização da classe política e o surgimento dos políticos de carreira, - cancro encontrado nas democracias ocidentais -, e que,  como o padre Manuel da Costa predizia, remete a sua suposta frase: "Como os maiores ladrões são os que têm por ofício livrar-nos de outros ladrões." Ou então:
"(...) eles tratam, no poder, não de atender as necessidades da população, não de lhes resolver os problemas vitais, mas de enriquecerem e firmarem a situação dos seus descendentes colaterais. Não há lá homem influente que não tenha, pelo menos, trinta parentes ocupando cargos de Estado; não há lá político influente que não se julgue com direito a deixar para os seus filhos, netos, sobrinhos, primos, gordas pensões pagas pelo Tesouro da República." (Os Bruzundangas, de Lima Barreto)
Este distanciamento não é exclusivo do nosso país ou das terras de Jean-Christophe Mitterrand, basta acessar os noticiários em diversos países e verificar a promiscuidade entre os cadernos de política e polícia.
A democracia tem, em uma mundo complexo e em rede, um grande desafio, que seus líderes atentem e correspondam aos interesses de uma diversidade cultural de votantes.
Despojar-se da pompa, circunstância e ineficiência, retomando de forma eficaz sua legitimidade, talvez tenha um marco simbólico. Como? Se eu soubesse...

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