O documentário Ilha das Flores representa um momento especial na produção nacional. Seu roteiro estabelece, de maneira inusual, uma cadeia de informações que aparenta um texto em cacos. Intencionalmente, Jorge Furtado, diretor e roteirista, expõe a um espectador, habituado a uma cultura imagética representada pelo videoclipe, o fio condutor da trama desenvolvida. A coragem em ficar na fronteira e arriscar, demonstra, já naquela época, 1989, o domínio do autor que impede que a platéia se perca em um labirinto de imagens. Ainda, conta como ponto positivo a narração feita pelo ator Paulo José. Com conhecido domínio interpretativo, sua voz não apenas informa, mas permite o tempo necessário para reflexão. Ilha das Flores é a expressão da nossa herança e permanência da desigualdade social e modernização seletiva. Curtam o vídeo com uma boa panela de pipoca.