quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ver e Rever

O documentário Ilha das Flores representa um momento especial na produção nacional. Seu roteiro estabelece, de maneira inusual, uma cadeia de informações que aparenta um texto em cacos. Intencionalmente, Jorge Furtado, diretor e roteirista, expõe a um espectador, habituado a uma cultura imagética representada pelo videoclipe, o fio condutor da trama desenvolvida. A coragem em ficar na fronteira e arriscar, demonstra, já naquela época, 1989, o domínio do autor que impede que a platéia se perca em um labirinto de imagens. Ainda, conta como ponto positivo a narração feita pelo ator Paulo José. Com conhecido domínio interpretativo, sua voz não apenas informa, mas permite o tempo necessário para reflexão. Ilha das Flores é a expressão da nossa herança e permanência da desigualdade social e modernização seletiva. Curtam o vídeo com uma boa panela de pipoca.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Mestre

Filho de mãe solteira, uma doméstica imigrante portuguesa, com pai desconhecido, Florestan Fernandes é o maior expoente da sociologia brasileira. Nascido em 22 de julho de 1920, teve uma infância pobre com condições degradantes de trabalho. De engraxate até garçom, Florestan abandonou os estudos no curso primário. Aos dezessete anos retorna através do curso de madureza, correspondente atual ao supletivo. Daí em diante, ingressa no curso de Ciências Sociais na USP; torna-se mestre em antropologia; doutor em sociologia; livre-docente e catedrático em Sociologia I da FFCL/USP; Visiting Scholar das universidades de Colúmbia e Yale; professor, além da USP, das Universidades de Toronto (Canadá) e PUC-SP; deputado federal constituinte em 1986, reeleito em 1990; Doutor honoris causa pela Universidade de Coimbra e autor de mais de cinquenta livros.
O documentário Florestan Fernandes - O Mestre é um sensível relato da história de vida de um sobrevivente do povo que construiu sua trajetória e, ironia do destino, sucumbiu a erros dos serviços públicos de saúde. Acessem: http://www.youtube.com/watch?v=BVIsapkW4RE

A Legitimação da Desigualdade

O primeiro texto, a ser trabalhado no terceiro estágio, pertence a um dos mais significativos e atuais representantes da sociologia brasileira. Jessé Souza é professor titular de sociologia da UFJF, doutor pela Universidade Heidelberg, com pós-doutorado pela New School for Social Reasearch e livre-docente pela Universidade Flensburg. Seu último livro organizado, A Ralé Brasileira: quem é e como vive, foi comentado na nossa página no twitter - www.twitter.com/edisioffjr - e expõe a legitimação da desigualdade no Brasil contemporâneo. Os diversos textos e seus vários autores tratam de unidades temáticas descritas no sumário como: O mito brasileiro e o encobrimento da desigualdade e O Brasil além do mito: novo olhar e novos conflitos. A Gramática Social da Desigualdade Brasileira, publicado originalmente em 2004 na RBCS, é importante para entender a construção desse quadro teórico-metodológico. Abaixo, indico o link para acesso e transcrevo o resumo do artigo para facilitar sua análise.
http://www.scielo.br

Este artigo pretende fundamentar uma alternativa teórica acerca dos temas da construção social da subcidadania e da naturalização da desigualdade no contexto de sociedades periféricas como a brasileira. Para isso, são aproveitadas de maneira seletiva e pessoal, no contexto do debate sociológico e filosófico-social contemporâneo, as discussões acerca do reconhecimento social e de teorias sobre a desigualdade que enfatizam seu componente sociocultural. O objetivo é elaborar uma concepção teórica alternativa, tanto em relação às abordagens personalistas, patrimonialistas e "hibridistas" desses fenômenos, paradigmas intimamente relacionados entre si e ainda dominantes entre nós, como em relação às percepções conjunturais e pragmáticas que perdem o vínculo com qualquer realidade mais ampla e totalizadora.

segunda-feira, 1 de março de 2010

"Joaquim Nabuco: um vencido da grande causa"

Por ora gestora pública, antes documentarista e poeta, Tarciana Portella, carioca radicada em Recife, realizou em 1999 o vídeo: "Joaquim Nabuco: um vencido da grande causa". Um sensível documentário que foi agraciado com o prêmio Cristina Tavares, pelo Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco, e com o prêmio Margarida de Prata, pela CNBB. Além de criativas locações, tocantes entrevistas e belas imagens, há um roteiro muito bem urdido que expõe as nossas tramas de relações desiguais do hoje e ontem. Regadas a uma significativa seleção da trilha musical e de trechos de Nabuco, o espectador tem bons comentários sobre nossas reformas inconclusas, nossa cidadania mitigada.
Após cem anos da morte de Joaquim Nabuco, sua voz é recordada na refinada afirmação feita no filme que, na época, comemorou os 150 anos do seu nascimento: Estudei na enxada, trabalhando para usineiro. Para os meus alunos, do grupo de estudo, o documentário é atividade essencial para acompanhar a leitura que faremos do livro Minha Formação. Assistam em http://www.camara.gov.br/internet/tvcamara/default.asp?selecao=mat&materia=59556
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Horácio - Ode 11, do Livro I

Amigos solicitam a ode completa do trecho que cito aos desencantados. Bom, para alegria dos meus críticos, do antigo blog, continuo como o meu Walt Withman: "Eu me contradigo? Eu me contradigo. Sou múltiplo, abrigo multidões". Sou Horácio e Ricardo Reis, Emerson e Nietzche, vários e contrários.
Antes, lembro um sucessor. "(...) pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte (...) aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente." (Lúcio Anneo Sêneca)
Vamos à promessa, em bela e requintada tradução e edição de Bento Prado de Almeida Ferraz e Martins Fontes, respectivamente.

Indagar, não indagues, Leuconói
qual seja o meu destino, qual o teu;
nem consultes os astros, como sói
o astrólogo caldeu:

não cabe ao homen desvendar arcanos!
Como é melhor sofrer quanto aconteça!
Ou te conceda Jove muitos anos,
ou, agora, os teus últimos enganos,
- prudente, o vinho côa e, mui depressa
a essa longa esperança circunscreve
a tua vida breve.

Só o presente é verdade, o mais, promessa...
o tempo, enquanto discutimos, foge:
colhe o teu dia - não no percas! - hoje.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Minha Formação, de Nabuco, para download

O primeiro texto do grupo de estudos pode ser localizado no seguinte endereço eletrônico http://bit.ly/a8N8F2 No arquivo, o livro Minha Formação, de Joaquim Nabuco, tem domínio público, não há restrições de direitos autorais.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Siga-me no twitter

Desde o sábado de carnaval, poderão ser encontradas no www.twitter.com/edisioffjr algumas orientações de estudo para os meus alunos. Bom proveito.
Após o período do carnaval, os textos serão publicados apenas no blogger.